segunda-feira, 24 de julho de 2017

SABES

SABES


Sabes quando eu morrer
A relva continuara a crescer
As folhas continuaram a cair
A chuva molhara a relva, as folhas
E eu já estarei morta, eu sei.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


quinta-feira, 22 de junho de 2017

CORTA-ME A RESPIRAÇÃO 💕


CORTA-ME A RESPIRAÇÃO 💕

Corta-me a respiração
Dá-me ar com a tua boca
Suga-me o néctar dos seios
Trinca-me como um rebuçado
Absorve-me como um chupa-chupa
Dá-me vida com intensidade
Corta-me a respiração
Com o teu corpo quente
Como um lobo que devora a presa
Ama-me na cama tão nossa
Sonha comigo, devorando-me a carne
Corta-me a respiração
Como um vulcão liberta a lama
Ama-me com a loucura
Tão ardente da nossa paixão
Amor dá-me ar, corta-me a respiração.

💕

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


       💌       💕

quinta-feira, 15 de junho de 2017

MULHER TRANSMONTANA



MULHER TRANSMONTANA

Mulher transmontana
Força da natureza agreste
Amora silvestre da terra das fragas
Discreta afável onde esconde o choro
Vestindo de negro num riso franco
Saudade luminosa como um farol
De uma força e suor na luta do dia a dia
Transformado em pão nos campos da solidão
Mulher doce forte que grita ao vento toda a sua dor
Beleza exterior com o dom da vida
Guerreira que luta pelo amor adoça a tempestade
No seu peito, da razão, da unidade familiar
Do coração, da força, da coragem
Mulher transmontana enfeitada ao luar
Mulher transmontana
A cada afago do vento
A cada beijo da fria geada
Força da natureza agreste
Amora silvestre da terra das fragas
Ama calada na imensidão
De um penedo solitário
Na inocência vivida na alma.

➹⁀* • ❥ ✌❤ இڿڰۣ¸♥¸➹⁀* •

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


segunda-feira, 8 de maio de 2017

CONTIGO


CONTIGO

Quero do teu corpo
O que mais anseio
Ter-te como se fosses
Tudo em mim
Sentir o arrepio do teu toque
Na minha espinha audaz
Assim sendo sou-o contigo
E por seres como és
Percorro os desertos secos
Atravesso os marés revoltosos
Para ter quem me acolhe
Quem me deslumbra
Quem me ama
E deseja desta maneira louca.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 12 de abril de 2017

INDOMÁVEL MORTE

INDOMÁVEL MORTE

Morri sem saber que tinha morrido
Vivi sem saber que tinha vivido
Amei sem saber que tinha amado
Sepultei-me sem saber que me tinha sepultado
Dormi sem saber que tinha dormido
Sonhei sem saber que tinha sonhado
Senti dor sem saber que tinha sentido
Foi uma árvore sem saber que tinha sido
Menti sem saber que tinha mentido
Matei sem saber que tinha matado
Sofri sem saber que tinha sofrido
Ignorei sem saber que tinha ignorado
Perdoei sem saber que tinha perdoado
Esqueci sem saber que tinha esquecido
Respirei sem saber que tinha respirado



Morri na solidão ao sabor do vento
Vivi na escuridão como um fantasma
Amei com paixão no meu pensamento
Sepultei-me na vereda do desgosto
Dormi entre as trevas do inferno
Sonhei na esperança da liberdade
Sinto as labaredas da saudade
Fui as folhas secas caídas da árvore
Menti com vergonha do um momento
Matei o esquecimento com fragas do olvido
Sofri sem tédio ou até dor do desgosto
Ignorei os meus próprios sentimentos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quinta-feira, 30 de março de 2017

AGRURA



AGRURA

Sofro, vou recorrendo a esta loucura
Nesta minha insanidade para me libertar
Morro, morro desta maldita agrura amarga
Ruptura escabrosa de pesar no meu peito

Que me causa desgosto este tal mal estar
Insónia maldita repetida que não me deixa
Ao menos sonhar, mantém-me presa nesta
Minha vigília constante, vomito só de pensar

Durmo sem dormir , sonho sem sonhar
Acordo sem nunca tentar sequer acordar
Entre estes sonhos fugazes escorregadios
Esquivos ignorando os motivos da ruptura

Carregando toda esta dor que me assola a mente
Onde morro todas as noites desta minha insónia
Que me vai devorando a lucidez, fardo esgotante
Este o meu, sem dúvida ao vivê-lo vou morrendo

Lentamente para me libertar destas agruras que a vida
Me tem dado ao longo deste meu cinzento caminhar
Morro sem, sem saber que vou morrendo em mim
Nesta louca insónia que me tolda a mente desta noite.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca




sábado, 25 de março de 2017

SONHO IM/PERFEITO

SONHO IM/PERFEITO


Procuro e já nada deixo
Desvendo no desespero
Sinto-me a morrer sem saber
Neste lento escoar que sinto

Mas creio saber esquecer
O caminho que percorro
Mesmo sem de mim saber
Que vivo de utopias mortas

No vácuo daquilo que sinto
Ou creio saber sem dar nada
Neste meu mundo de defeitos
De tanta gentinha im/perfeita

Que julgam ser a perfeição
Mundo cruel  que me afasto
Deixando para trás tantas vezes
Sonhos que o vento leva na ilusão.

 Isabel Morais Ribeiro Fonseca