quarta-feira, 30 de abril de 2014

"UM DOM"

"UM DOM"

Comigo andam e caminham.
Todos aqueles que eu amei
E os que mais detestei
Amigos que perdi ou afastaram-se
Inimigos que me apunhalaram pelas costas
Onde deixaram feridas difíceis de cicatrizar
Todos os dias que apanhei chuva, frio ou sol
Nalguns dias não perdi nada, noutros apenas ilusão
Pensava que era dona do mundo
E que tudo era meu para sempre
Descobri que nada é meu
É só uma passagem, para amar
Ser feliz, fazer os outros felizes.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


segunda-feira, 21 de abril de 2014

"ABRAÇO TEU"

 "ABRAÇO TEU"

Deito-me numa cama fria
Sei que estás ausente...chegas impaciente
Os teus braços e as tuas mãos trêmulas de desejo
Vejo-te no escuro da noite
Deitado no esplendor de uma plena noite de lua cheia.
Enquanto os lobos uivam na serra
Cada palavra escrita mostra talvez a minha personalidade
Às vezes destruo-me para tentar compreender-me
Num lençol de cetim vermelho
Sinto as tuas mãos como que úmidas
Onde mergulhamos... num chamamento selvagem
Na nossa cama....na lua cheia
Enquanto rasgas-me a carne....devoras-me os sentidos
Soltam-se os gemidos
Sinto os meus lábios....na tua boca 
Num misturar intenso
Da nossa carne.....dos nossos corpos
Num minuto selvagem que tudo é libertado
A lua cheia faz emergir a minha energia para ti
E os lobos fazem-te uivar para mim na nossa cama
Olho-te nos olhos....sinto o ardor das tuas mãos
Cada vez mais forte.....mais perto....momento incerto
Vagueio neste deserto de ti…feito de lembranças e desejos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


quinta-feira, 17 de abril de 2014

LEIO-TE MEU AMOR

 LEIO-TE MEU AMOR

Meu amor, leio-te e saboreio-te
Laços inquebráveis
Brisas perfumadas, flutuam na tua pele
Beijos de ternura, estrelas nos lábios
Na boca levitada do meu ser
Medos, anseios, sobem a eternidade
Acaricias o meu corpo
Tantas vezes ausente...ausente de mim
Juras em silêncio.....nos caminhos ao vento
Tempestades conhecidas na solidão da noite
Transparência nas asas, onde a magia
Foge e impede-me de dançar
Leio-te, saboreio-te, no fundo do meu peito
Palavras onde a alma encanta-se de desejo
Refugio de laços na noite onde me elevo a ti
Eternidade feita em poemas
Poemas de códigos indeferíveis...leio-te.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



segunda-feira, 14 de abril de 2014

PORTUGAL

 PORTUGAL

..............Os teus poetas e filhos....choram
Que Portugal é este
.......que país é este, que deixa fugir os nossos jovens
Não nos deixam dar pão aos filhos
...............E aos velhos cada vez mais sós
Tirando-lhe as próprias migalhas
......Não pronuncio nomes detestáveis
Já chega quando os leio nos jornais.
Miseráveis que deixam morrem na prisão
.......................os rouxinóis...como tristes papoilas
De tristes e corruptos, ficam como salvadores e heróis da pátria
Pátria - para os últimos heróis, que teimam em ficar...lutar...lutar
Dos que morrem por ti......meu querido Portugal
...........Ninguém é mais poderoso no mundo.....que a união
A todos aqueles que tenham sofrido e vejo sofrer.....lutar
Lutar para limpar esta pátria...de miseráveis oportunistas
...................Nem num instante pleno desta vida....fugir sem lutar
Mais para morrer que de viver.....sem paz...sem pão
..................Os teus poetas e filhos....choram...choram de dor
Meu querido Portugal......lutar sim.......desistir nunca

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


sexta-feira, 11 de abril de 2014

"HÁ HISTÓRIAS"

"HÁ HISTÓRIAS"

Há histórias
Que parecem jamais conhecer o seu fim.
Escorrem pela mão
Seguem em contramão cheia de dúvidas
Andam sem rumo..sem esperança
As águas tranquilas do rio
Antes navegáveis, hoje intragáveis.
O último suspiro foi dado esta noite
A última lamparina de azeite apagou-se
As lembranças foram espalhadas pelos caminhos
Cinzas de uma alma jogada ao vento furiosa
Somente a lembrança, dor agonizante de uma vela.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


segunda-feira, 7 de abril de 2014

"TRANSFORMAÇÃO"

 "TRANSFORMAÇÃO"

Na transformação
Da essência do meu ser
Resido à parte....dos meus vales e abismos
Neles evoluo-me
E transformo-me da minha própria essência
Sou feita de barro ..argila verde
O tempo é morno é estreito....mas
A minha sede pela vida é intensa
Tenho afetos escondidos e saudades momentâneas
Talvez escancaradas
Um amor....que poucos entendem
Poucos o sentem…e muitos o querem
Sem nem saber como tê-lo, desejam paixão
A luxúria permite-me explorar
Como uma mulher sem deixar
De uivar como uma Loba
Descobri que não dá para ir contra
Os meus sentimentos sentidos
Quando se trata de amor, paixão ou desejo
Quando os olhares se cruzam
E os dois querem ...não importa
O tempo... ou a distância
O lugar mesmo cheio de multidão
Basta um olhar...sem palavras....sem gestos
É muito difícil dizer adeus
Mesmo quando se quer ficar
Difícil sorrir quando se quer chorar
Mais difícil é ter
Que esquecer quando se quer amar
Deixa-me, sussurrar para ti amor
Amanhã de manhã.
Vou fazer um café só para nós dois
Para fazer-te um carinho e depois....depois vemos.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



sexta-feira, 4 de abril de 2014

"REFÚGIO"

"REFÚGIO"

Já chorei no meu refúgio
De amargura de lamentando
Que castigo é este que a tristeza
Não me larga
Que pecados é que já fiz?
Para que cada dia e noite seja
Seja maior esta minha dor
Este meu sofrer
Desejo incessantemente amar-te
És a melhor flor do meu jardim
Anseio por sentir o teu fulgor
Tão essencial à minha alma
Em cada hora que passa
A tempestade cruzou-se comigo
Trazendo-me a infelicidade
A minha ansiedade
Sou uma sombra de mim
Não quero aceitar tal fatalidade
Dor e dor, só Deus sabe como sofri e sofro.

 Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 1 de abril de 2014

"NESTA NOITE"

 "NESTA NOITE"

Nesta noite fria
Fiquei a gelar sem ti
Senti-me vazia
Pressa na escuridão
A falta do teu calor
Do toque das tuas mãos
Que me leva a viajar para longe
Escuto uma melodia doce da chuva.
Embalando-me e levando-me em direção a ti.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca