quarta-feira, 29 de julho de 2015

RAMOS DESPIDOS

RAMOS DESPIDOS

- Despe o meu corpo
Como se de uma árvore tratasse

Nas tempestuosas chuvas
- Do nosso amado outono

Ama-me com os ramos despidos
- De folhas de várias cores
Com a veracidade com que caiem no chão.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 15 de julho de 2015

TU ÉS AMOR

TU ÉS AMOR

Tu és o meu caminho, a minha quimera
Tu és o meu vinho, o meu maior vício
Tu és o meu bálsamo de aroma benigno
Tu és a minha flor mais perfumada
Tu és o meu barco que navega à deriva
Tu és as gotículas sedentas da minha seiva
Tu és a minha sinfonia das pétalas de rosas
Tu és a minha textura morna das próprias letras
Tu és o espaço aberto das doces palavras
Tu és o som inacabado de uma bela canção
Tu és as linhas escritas do meu destino
Tu és o verbo amar ditado em versos
Tu és o meu afago no coração de carinhos
Tu és o desejo rasgado no meu peito
Tu és a minha inquietude na minha alma
Tu és o meu mundo pincelado de cores
Tu és a minha poesia de vários sabores
Tu és uma procissão alegre que dança um tango
Tu és a razão da minha existência no infinito
Tu és a minha doce melodia que dá cores à vida
Tu és a minha doçura nas noites cheias de felicidade
Tu és o meu violino que toca no meu corpo.
 
Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ASAS NEGRAS DE POEIRA

ASAS NEGRAS DE POEIRA

Asas negras cobertas, silenciosas do quarto
Rastro de poeira luminosa, sinónimos de estrelas
Veste-me por dentro em caril, despida de açafrão
Na pedra nua talvez por lapidar ecoa a insanidade
Asas transparentes de tinta branca de salgado sal
Palavras numa folha de linhas, mostarda em mim
Sementes na terra, adversidade das noites negras
Barulhenta amargura negativa uma solidão em fúria
Colapso no porão, desequilíbrio de um covarde
Prisão de asas negras, anjos de abominável escuridão.
Terrível encosto do eterno desgosto, peço misericórdia
Vestes negras do prosterno desespero, vestígios talvez
Da humanidade sem sangue a correr nas suas próprias veias
Começou a escrever na alma, asas negras cobertas de sal
Gengibre de uma sublime covardia, gemido enterrado vivo.
Isabel Morais Ribeiro Fonseca