quarta-feira, 31 de agosto de 2016

AMOR TU

AMOR TU

Meu lobo devora-me
Se eu te implorar não pares
Quero sentir a minha fome
Nas tuas veias enquanto me degustas
Sussurra no meu ouvido
Uivo de palavras doces
Enquanto os meus olhos se fecham
Com a tua língua a percorrer-me a espinha
Já faminta com os meus delírios
Que se confundam com os teus
Acalma o teu corpo no meu
Desta fome sentida pelos dois.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

SELVAGEM



SELVAGEM

Mordi-me
Nas teclas do piano
Presas ofuscadas
Nas visões rebeldes
Escancarei-me
Na tua boca
Dum beijo dado
No último suspiro
Seduzi-te
Nos desejos devassos
Das palavras mudas
No meu corpo em ti
Amei-te
Numa cama qualquer
De suados lençóis
Tive-te
No mar tempestuoso
De desejos selvagens.

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Isabel Morais Ribeiro Fonseca



domingo, 7 de agosto de 2016

TEIA DE COR


TEIA DE COR

Fado meu tocado cantado
Escrito no perfume das palavras
No soletrar de todas as sílabas
Da quente e doce madrugada
Com os ritmos do sol do verão
Para pernoitar em mim escondido
Na alegre cor do fim da tarde.
Acerto na sílaba do meu relógio
Do meu tempo ou talvez do teu
Onde me invento de mim própria
Incendeio-me, para me extinguir
Mas volto a incendiar-me no teus
Fortes braços, vagueando a mente
Embalo no meu corpo com o teu
Dança perfeita num abraço terno
Desenho corpos presos, suados
Como uma teia de cor numa tela
Esboço de ternura entre beijos
Dados com tanto desejo da vida
Sentimentos rendidos ao amores
Já tão sentido como desejado fado.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca