domingo, 26 de janeiro de 2014

"TERRA FRIA, QUENTE"

 "TERRA FRIA, QUENTE"

Trás-os-montes terra fria, quente
Andam os lobos perdidos nas grutas escuras
Ocas do nosso desalento, serras feitas de fragas
Montes desconcertantes, silvas que invadem a nossa alma
Picam o corpo, rasgam a carne, corrompem os sentidos
Devoramos os sentidos perdidos esquecidos feitos em emoções



Terra fecundada, quente, fértil, fria, nevoeiro na serra, no monte
Quimeras na penumbra da solidão, noite escura feita na escuridão
Onde a inquietação nos corroí, nos ecos do nosso pranto
Somos feitos de barro perdidos nas grutas escuras sofridas
Onde andam os lobos esquecidos na penumbra da nossa escuridão.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

LÁBIOS

 LÁBIOS

Lábios de amoras
Ao sabor do vento.
Doce, transparente
Néctar silvestre
Aroma cativante
Magicamente envolvente
Do campo, da terra
Paladar eloquente.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

TEMPESTADE SENTIDA

TEMPESTADE SENTIDA

Tempestade de vento corpo cansado
Espalha o pó por todo lado, poeira solta.
Sinto-me só em vários momentos
O vento castiga os meus pensamentos.
Migalhas, sementes ficam no caminho
Das árvores nuas que procuram um silêncio.
Afagam a dor do sentimento das mãos do tempo
Deuses, santos, duendes, seres belos da natureza
De rara inteligência e sensibilidade.
Fragas soltas por trilhos, num mundo orgulhoso
Corpos, ossos enterrados das guerras travadas
Esquecidas por estes vales, montes e serras.
Mundo perdido de almas, onde a sabedoria
Ficou transformada em cinzas, pobre humanidade,
Sem humildade, só veem a sua imagem nos espelhos.
Demônios da ganância são soltos por nossa culpa
"Mea culpa" onde em muitos momentos..
Da nossa vida esquecemos a presença de Deus.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SERRAS DE FRAGAS

SERRAS DE FRAGAS

Serras de fragas cheias de dor
Montes escondidos do sol dos nossos olhos
Lameiros pisados de paisagens inundadas
Pela margem do rio, lágrimas de amor

Ventos feitos em versos, promessas a sussurrar
Em lágrimas tímidas, vivências gritantes.
Promessas alargadas de esperança e risos
Harpa em forma de hino feita de pranto.

Segredos escondidos em forma de poesia.
Desassossego da noite cheia, por não ter passado
Tristezas deste tempo, palavras não ditas.
Soltas ao vento perdidas do nosso desalento.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

domingo, 12 de janeiro de 2014

"AMPARO DE SILÊNCIO"


"AMPARO DE SILÊNCIO"

Silêncio feito de ausências, renovadas do caminho
Palavras suspiradas embriagadas, desviadas da mente.
Continuidade do amparo de tantas decisões, deixadas, esquecidas
A porta da igreja, fechada, perdida na dor da saudade.

Onde rejeita, pisa, mata, arrasta o tempo, suja
Urros de gritos, maldade vazia, lábios serrados, fechados.
Noite fria, onde a neve cai suspirando sem soluços adormecida
Míscaros no chão, come o javali onde é caçado e comido.



Caçador furtivo, escondido como um animal selvagem
Procura o lobo solitário perdido da alcateia no monte.
Velhos sabores, cheiros floridos de vários trajetos sentidos
Inspiração de novas poesias, sem ilusões, sem murmúrios.

Noite gasta de risos, de lágrimas, promessas sem fôlego
Ouve ao longe o sino tocar, a chamar a gentes da aldeia.
Rezar às alminhas com devoção de todas as incertezas
Sem medo dos labirintos, receios da paz que invade a mente.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca




terça-feira, 7 de janeiro de 2014

CHAVE NO CORAÇÃO

 CHAVE NO CORAÇÃO

Guardamos a chave do nosso coração
Afinal cada pessoa é um mundo
Onde guardam as chaves
Dos seus corações, azedos e doces
Chave de um coração sem agua, é como um deserto
Ingrato, sem céu onde é impossível exprimir
Os sentimentos ao vento de querer amar sem sofrer
Ciúme, sentimento maligno, devastador, egoísta
transformado em veneno, mata qualquer amor
Linhas mal traçadas escritas de saudade
Chaves de desculpas, de erros, provas de afeição

Isabel Morais Ribeiro Fonseca



sábado, 4 de janeiro de 2014

SENHOR


Senhor
Obrigado vida
Pela adversidade, pela coragem
Pelos medos, pelas desilusões
Pelas derrotas, pelas paixões
Pela luz e as trevas, pelos sorrisos
Pelas tristezas, pela vida
Pelo amanhecer, pelo mar e sol
Pela chuva e neve, pelo vento e tempestade
Pelas experiências das coisas boas que eu vivi e vivo.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CAMINHAR

 CAMINHAR

Vou caminhar
Contigo de mãos dadas
Entre as flores do meu jardim
As camélias floridas embelezam
O nosso caminho, de mãos dadas
Sentindo perfume das flores
Nos teus braços sinto-me segura
Procuro os teus beijos e carinho.

Isabel Morais Ribeiro Fonseca

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

LUZ

LUZ

  - Luz da serra quente

Reflexos das giestas

 - Sol refletido nas estevas

Onde anda o pastor com as ovelhas

- Por do sol a fugir para a noite

Escura, fria e estrelada.

MariaIsabelMoraisRF